Resumen
A pesquisa investiga as emoções vividas pelo corpo durante a peregrinação em Santiago de Compostela, a partir de uma abordagem fenomenológica articulada à antropologia. Parte do princípio de que o corpo emocionado é culturalmente situado, expressando ou silenciando emoções conforme normas simbólicas. Como tese de doutorado, tem caráter qualitativo e participante, centrado na estrutura do fenômeno situado. Utiliza a atitude fenomenológica como suporte teórico-metodológico e busca compreender como as emoções se manifestam na experiência corporal do peregrino. Foram entrevistados cinco atores sociais. As entrevistas foram transcritas e descritas conforme Merleau-Ponty (2018) e Martins e Bicudo (1989). A peregrinação revelou ser mais que um deslocamento físico, sendo motivada por autoconhecimento, superação, prática esportiva, solitude e transformação pessoal. Lugares e pessoas despertaram emoções profundas, simbolizando desafios, libertação e conexão. Os relatos evidenciam vivências marcadas por generosidade, companheirismo e afetos intensos, mesmo que transitórios. Emoções como alegria, tristeza, medo e raiva foram comuns, assim como a superação de estresses passados em busca de equilíbrio. A proximidade com a natureza favoreceu a ressignificação da existência e uma nova relação consigo. Por fim, peregrinos relataram deixar pesos para trás e levar experiências simbólicas como cultura, laços e novos comportamentos. O Caminho de Santiago é percebido como espaço de cura e reconstrução emocional, onde a tranquilidade é fruto de escolhas conscientes, autoconhecimento e desapego. A experiência amplia a compreensão do corpo ao integrá-lo às emoções e à sensibilidade, superando a dicotomia corpo-mente. O movimento é reconhecido como expressão afetiva, não apenas física. Isso propõe uma Educação Física voltada ao autoconhecimento, ao desenvolvimento emocional e à formação integral, onde corpo, emoção e pensamento se entrelaçam na aprendizagem significativa.
